
A Lenda do Pianista do Mar 20 Dez 2008 Narrada em 1946 por um trompetista de jazz aposentado, e ambientada na primeira metade do século, descreve o drama de um homem que passou toda a sua vida no interior do transatlântico onde nasceu. Tinha sido abandonado pela mãe e adoptado pelo maquinista do navio, que lhe pôs o nome de Mil e Novecentos (ano do nascimento); ali se converteu em um mítico virtuoso do piano, cujas notas, improvisadas e esquivas, retratavam o mundo que o rodeava e, ao mesmo tempo, interpretavam o seu universo interior. Procurando descobrir o que há do lado de fora do navio, sente um forte desejo de desembarcar em terra firme. Mas algo bem dentro do seu coração insiste-lhe em que não deve abandonar a sua hermética “jaula de ouro”. Tornatore definiu o seu filme como uma “ fábula universal construída em torno de uma metáfora muito moderna sobre a condição humana”. E, fiel a este carácter de alegoria, permeia todo o seu “musical “ com muita poesia e sensibilidade, algumas vezes com toques surreais, ao estilo dos empregados por Fellini em “E la nave va”. Entre todos os parâmetros estéticos destacam-se as excelentes interpretações, sobretudo a de Tim Roth, a esplêndida fotografia e a trilha sonora de Ennio Morricone vencedora do Globo de ouro de 1999. O dilema de Mil e Novecentos de deixar o barco ou não, permite momentos de puro lirismo e reflexão, como na cena em que, sozinho, pergunta ao mar e a si mesmo por que não deixar o barco, e chegando à conclusão de que as pessoas da terra estão sempre insatisfeitas e a procurar os porquês, então prefere não arriscar. São instantes dramáticos que adquirem um sentido antropológico, pois reflecte sobre o dilema universal entre a imanência e transcendência que atiça todos os homens. Definitivamente, é um filme que se mantém durante todo o tempo em grande estilo e profundidade... Comentários: info@popa.com.br |