Refletores de radar
A importância de ser visto
Danilo Chagas Ribeiro

26 Mai 2009
Em más condições de intempérie, como chuva ou neblina, ou mesmo à noite, é de grande importância para a segurança da navegação oferecer visibilidade ao radar das embarcações navegando por perto. Um radar pode estar fora do alcance do bolso do proprietário de uma pequena embarcação de recreio, mas um refletor de radar, não.

Refletores de radar são dispositivos passivos que amplificam a identificação de uma embarcação na tela do radar de outra. O tipo mais comum é constituído por 3 superfícies metálicas planas dispostas ortogonalmente, como o da foto ao lado, fixado ao estai de popa de um veleiro.

O radar emite uma onda de rádio que, refletida por uma superfície, permite identificar a posição em que ela se encontra. Talvez a abordagem mais simples para entender o princípio de funcionamento do radar é associá-lo ao eco audível. Medindo-se o tempo de retorno do eco, pode-se conhecer a distância da superfície refletora. Em vez de ondas sonoras, o radar utiliza ondas eletromagnéticas (ondas de rádio). Pode-se associar o funcionamento do radar também ao reflexo de um raio de luz em um espelho. São analogias bem simplistas.

Dependendo do tipo, ajuste e potência do radar das outras embarcações, e ainda de alguns outros fatores, sua embarcação poderá aparecer melhor ou pior na tela. A efetividade da identificação é proporcional à reflexão oferecida pela superfície varrida, e não à área da superfície. Um obstáculo pequeno pode aparecer melhor na tela do que um grande, dependendo do quanto reflete. Quando há pouca reflexão, a indicação na tela do radar poderá ser nula ou confundida com interferências, ou só aparecer quando o alvo encontra-se muito próximo.

As fotos da tela do radar do veleiro Canibal no retorno do IIIº Cruzeiro-Regata Porto Alegre - Tapes, em 10 de maio de 2009, podem ajudar a ilustrar o assunto. Navegávamos no Rio Guaíba, sob neblina, e ao aproximarmo-nos do par de bóias cegas 105/108 do Canal do Junco, apenas a 108 aparecia no radar, como se vê na fotografia da tela, mais abaixo. Somente a uma distância em torno de 100m, a bóia encarnada (105) apareceu na tela também. O que fez a diferença foi a presença do refletor de radar sobre a bóia verde.

Assim como o refletor ajuda a identificar uma bóia, ajuda também a identificar uma embarcação. O elevado custo de um radar a bordo, sem contar com o consumo extra de energia, faz com que raras embarcações de recreio de pequeno porte sejam equipadas com este recurso. Por outro lado, o custo da visibilidade na tela do radar de outras embarcações é modesto: um refletor de radar para estai de popa, em alumínio, custa menos de R$100.

Canal do Junco, Rio Guaíba

 

Bóia 108 do Canal do Junco, sob neblina, às 11 horas da manhã

 

Apenas a bóia com refletor aparece na tela do radar (mancha escura
à esquerda). O barco aparece representado na tela à direita da bóia.

 

Com a aproximação do barco, a bóia sem refletor apareceu também.
Observe que a bóia verde (à esquerda na tela) aparece mais, devido ao refletor

 

Apesar de mais volumosa, a bóia encarnada é menos visível na tela do radar, devido à falta do refletor.

 

O refletor de radar utilizado na bóia 108 é uma solução muito simples e barata

__________
A bela foto do refletor de radar do veleiro Landeco, utilizado para abrigo do vento pelo canarinho, é de Rui Ketzer, feita no Clube Náutico Tapense, em Maio de 2009. Demais fotos: Danilo Chagas Ribeiro.



Comentários: info@popa.com.br

 

 

 

-o-