A IIIª Regata Marina Lessa foi informal e divertida
Saco do Arado, Rio Guaíba
José Antonio Echeverria
Fotos: Marcos Pinheiro

16 Abr 2009
No dia 28 de março de 2009 foi realizada a IIIª Regata Marina Lessa, onde estiveram presentes veleiros do tipo bruma19, tchê17, marbe24, o'day23, guanabara, velamar24, rio20, velamar22, scorpio26, rd16, além de outros modelos menos conhecidos de aço, fibra e madeira.

A idéia desta confraternização surgiu de bate-papos regados a cerveja e com alguma pelanca na brasa, que eram realizados entre vários velejadores, sempre com instigações mútuas com relação ao desempenho de seus veleiros na água. Eis que um dia, Pedro* e Chumbinho**, lançaram e executaram a idéia que culminou com a primeira Regata Marina Lessa, que foi realizada por volta de maio de 2008, evento que nunca acabou, pois o vento não quis participar até o final.

Na sua versão atual tem sido realizada duas vezes por ano, antes e após o verão. Este “velejaço” caracteriza-se pela participação de veleiros com variadas dimensões e sem divisões de classe, além das várias embarcações a motor que vão para água no dia, colorindo e lotando o saco do arado. Algumas das embarcações a motor servem de sinalização, marcação do percurso a ser realizado, formação da linha de largada e outras apenas vão para prestigiar o evento, levando os “fotógrafos”, parentes, amigos, filhos e esposas que evitam participar de tão acirrada disputa. Basicamente é um evento de confraternização dos velejadores integrantes deste recanto de propriedade do Sr Jorge Antonio Lessa, ou simplesmente Lessa para os amigos, que participa apoiando e auxiliando com sua lancha de resgate de cor vermelha, a Tarumã.

O evento é aberto a todos que queiram participar e venham imbuídos do espírito de confraternização e brincadeira que norteia a Regata. Houve a participação de um veleiro bastante conhecido nas águas do Guaíba, o Patacho, campeão da classe O´Day23 em uma de suas recentes edições, mas com tripulação nova, após a aquisição do veleiro Sonolento (scorpio26), também participante da Regata Marina Lessa, por parte da tripulação campeã da classe citada.

O percurso
O percurso possuía basicamente a forma de um triângulo com duas dimensões semelhantes e uma bem menor que as outras. O início do trajeto foi na frente do arroio que leva à marina, seguindo para a bóia encarnada do canal de navegação que devia ser deixada com bombordo, dirigindo-se a uma embarcação que estava próxima a chaminé alta de tijolos vermelhos que fica no meio do saco do arado, e em seguida rumando para o canal de acesso a marina.

O percurso era composto de 2 voltas. O vento, na hora da largada, por volta das 15 horas, estava do quadrante Norte, e antes das embarcações completarem a primeira perna, até a bóia encarnada do canal, rondou para o quadrante sul, por volta da 15 horas e 40 minutos, proporcionando de dois a três minutos sem vento. Como havia duas pernas bem longas e uma curta, e estas estavam basicamente no sentido leste-oeste, e com os ventos dos quadrantes Norte e depois Sul, a regata foi preferencialmente uma barla-sota.

E, como sempre acontece, nestas embarcações destinadas ao cruzeiro e mantidas basicamente por seus proprietários, algumas vão para raia a reboque, e outras voltam rebocadas; outras colidem com a bóia do canal de navegação, e toda série de imprevistos acontece principalmente para aqueles que não estão acostumados a vivenciar, mesmo que de forma descontraída, uma regata. Existem algumas regras simples, descontraídas e peculiares neste evento, como por exemplo a proibição da utilização de vela balão de qualquer tipo, pelo motivo “a maioria não tem”.

Após a parte aquática do evento, é realizado um movimentado churrasco, com rateio das despesas, além de gritos, discussões, “tinidos de adagas”, reclamações, todo tipo de choradeira que povoa um encontro após disputas acirradas na águas, e durante o churras é feita a entrega das medalhas para todos os participantes. Os três primeiros colocados na classe geral, em ordem de chegada, foram os veleiros Apuama (VM24), Monca (Scorpio26) e Terra Brasilis (VM22). Ressalta-se a intensa disputa entre a flotilha espalhada ao longo de todo percurso, sempre tentando ultrapassar algum vizinho de vaga e buscando motivos para tocar uma flauta depois. Ao total houve a participação de 17 veleiros, sendo provavelmente a edição mais concorrida das regatas da Marina Lessa.
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(*) Pedro, ex-prestador de serviço de carpintaria, pinturas e fibra na Marina Lessa.
(**) Silvio, mais conhecido como Chumbinho, comandante do veleiro velamar 22, Terras Brasilis

 

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