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Em Fevereiro de 2006, eu e a Erica (minha filha de 6 anos), fomos convidados a navegar no veleiro Compostela, de Natal RN a Salvador BA.
Depois de curtir a piscina do Iate clube de Natal, soltamos as amarras do pier do clube e descemos o Rio Potengi até alcançarmos o mar. A tripulação do Compostela está super entrosada, porque recentemente eu, o João Rolim e a Lourdes fizemos uma viagem de Belém PA a Salvador BA em um catamarã.
Uma velejada no Resgate
Navegamos com ventos de 10 nós SE até o Cabo Bacopari, em orça máxima com ajuda do motor. No través do Cabo Bacopari o vento ronda para ESE e nosso rumo arriba uns 10º. Em orça folgada chegamos a Recife PE. A faina de chegada no Cabanga Iate Clube é sempre a mesma: o Hélio vem com o bote, aponta para a vaga e atracamos o barco.
À tarde de domingo fui velejar com o “JP”, que é Comodoro do Cabanga Iate Clube e proprietário do Veleiro Resgate, uma máquina de regatas de 40’, projeto Bruce Farr, um contravento em direção à África por umas 10 milhas e uma balonada de volta até a vaga no Cabanga.
Companhia dos golfinhos
No outro dia saímos de Recife às 09:00 da manhã. Céu aberto, mar calmo e vento SEE, perfeito para a velejada de 100 milhas até Maceió, nosso próximo porto. A Erica me surpreende. Eu esperava que ela se sentisse entediada com os “velhos”, e presa em um barco de 32’, mas o que ocorreu foi o contrário, sempre alegre e brincando. Ela prefere brincar com o tripulante que esta descansando após o turno.
O dia amanheceu quando estávamos próximos a Maceió. Um grupo de golfinhos nos acompanhou durante 15 minutos. Foi um espetáculo. O mar estava muito transparente e o entusiasmo da Erica foi contagiante. Ela ficou doida com os golfinhos que brincavam na proa do barco (baixe o vídeo enquanto continua a leitura: 3MB, zipado ).
Enjôo de barco parado
Entramos no porto em Maceió e logo avistamos o Bira a bordo de sua catraia. Nos indicou uma poita e ajudou a apanhar os cabos. O Bira pergunta “Qual hora que venho pegar vocês para ir para terra?”
É interessante como as coisas acontecem. O Bira faz o vai e vem dos barcos para o Clube em Maceió, quando estive com o Orion apoitado neste mesmo lugar em 1999. A Claudia estava grávida da Erica e o Bira me ajudou a levá-la, de madrugada, para o hospital. Ela tinha enjoado muito após termos parado aqui, vindo de Recife, uma espécie de enjôo de barco parado, “Vai entender?”. Hoje o Bira levando a Erica com 6 anos na mesma catraia. Legal!
Festa a bordo: duas cavalas na linha
Em Maceió fomos para a Praia de Pajuçara para curtir um banho de mar e batatas fritas, a Erica merecia. No outro dia, proa para o Rio São Francisco, que é uma passagem importante na rota para Salvador. No través do rio que divide Alagoas de Sergipe é um lugar bom de pescaria. Pegamos duas cavalas, foi uma festa a bordo.
Carnaval a bordo
À noite, no través de Aracajú SE, o clarão. A cidade está bem definida. Com vento fraco de SE e mar calmo fizemos uma boa navegada até Salvador. O astral estava ótimo e tivemos a idéia de convidarmos a Claudia para passarmos o Carnaval a bordo do Compostela. Algumas ligações do celular e tudo resolvido. Atracamos no CENAB em Salvador para apanhar a Claudia.
Caravela para descobrir a América do Norte
Com um vento E de 15 nós e as velas em asa de pomba chegamos em Morro de São Paulo (30 mn ao sul de Salvador), mais precisamente para Gamboa do Morro. Nos aproximamos do local de ancoragem no final da tarde. Para a nossa surpresa tinha uma caravela ancorada próximo ao lugar a onde largamos a nossa âncora. Mais tarde fiquei sabendo que era um “gringo” que mandou fazer a caravela em Valença e estava aguardando a vistoria da Marinha para partir em descoberta da América do Norte.
Barroquinha?
O encontro com a tripulação do catamarã Guma, Vera e Davi Hermida, é sempre uma festa. Eles nos informaram que o carnaval seria em Barroquinha. “Viche Maria! E onde fica isto?” A Erica embarca no Guma e navegamos pelo canal de Taperoá que divide a Ilha de T inharé (Morro de S.P) com o continente, deixamos o Rio do Inferno por bombordo e finalmente Barroquinha (veja o mapa abaixo). O lugar é um espetáculo, super calmo e um povo hospitaleiro. Após o carnaval voltamos para Salvador, e no caminho paramos para caminhar entre os prédios históricos de Cairú.
Vivendo embarcada até os 2 anos
Quando a Erica navegava no Orion não notávamos o quanto ela gostava. Era algo comum. Ela viveu no barco até completar dois anos. Quando corremos a REFENO 2002 (Recife - Fernando de Noronha), a bordo do Bicho Papão (Velamar 38’), foi diferente. A Erica, a Claudia e eu éramos convidados e tínhamos que nos adaptar ao barco e às regras do comandante, e mesmo assim ela se comportou maravilhosamente bem. A bordo do Compostela repetiu-se a mesma coisa: ela foi uma tripulante alegre e divertida, e com responsabilidade.
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(*) Átila Böhm aprendeu a velejar quando criança, no Veleiros do Sul. Radicado há anos em Salvador, BA, o comandante gaúcho vem repassando à filha Erica o que aprendeu inicialmente com o pai, o inesquecível comandante László Böhm, e em sua enorme experiência na condução de veleiros no mar, como skipper. [Danilo, popa]
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