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Direto para Paraty Um ano após a viagem ao Uruguai, a bordo do veleiro Victor, um Fast 345, resolvemos inverter a nossa proa. Em janeiro de 2007, nosso rumo foi Angra dos Reis e, segundo diz a lenda, suas 365 ilhas. É nelas e no mar de cor verde esmeralda que está a beleza de Angra, um lugar para ser visitado de barco. Depois de uma travessia dessas, longa e cansativa, exposta aos caprichos da natureza, com noites mal dormidas e água salgada por tudo, o que mais a gente quer é o conforto de uma marina com trapiche, água, luz e, principalmente, um bom banho de chuveiro. Ser bem recebidos nas marinas e clubes é outra situação muito bem-vinda para quem chega de tão longe.
Nosso conselho para quem pretende ir algum dia a Angra dos Reis de barco: não vá sem um bote inflável. Sem ele, a gente fica “ilhado”, e tudo é mais difícil, como comprar mantimentos, tomar banho de chuveiro, conhecer os lugares em terra, e por aí vai. O botinho dá liberdade, não precisa ficar na dependência dos barcos de apoio das marinas. Nas duas semanas que passamos em Angra, ficamos a maior parte do tempo na Ilha Grande (na foto acima, a Lagoa Azul, na Ilha Grande). Suas várias enseadas são excelentes abrigos. Fundeamos no Saco do Céu e no Sítio Forte, locais que tinham uma grande vantagem: uma poita com mangueira com água de fonte. Foi uma grande descoberta. Evitou que saíssemos da ilha para abastecer o barco com água.
Na cidade de Angra dos Reis, há um lugar muito bom para fazer compras, o Pirata’s Mall. É uma marina dentro de um shopping center, ou vice-versa. O super mercado é excelente, com produtos de ótima qualidade. É possível atracar por 3 horas sem pagar nada. Se passar disso, é cobrada uma taxa de R$ 50,00 a hora, e o controle do horário é rigoroso. Neste local, é proibido descartar lixo.
Outros problemas que enfrentamos em Angra foram o calor excessivo, a grande quantidade de mosquitos, e as chuvas diárias. O calor às vezes era insuportável, dentro e fora do barco. A beleza de Angra compensa todos esses “sacrifícios”, mas não por muito tempo. Decidimos antecipar a nossa volta, mas antes resolvemos conhecer Paraty. Foi, então, que a nossa vida melhorou, e muito. A maioria das embarcações atracadas lá eram veleiros, e logo nos sentimos à vontade. Foi muito bom encontrar um lugar com infra-estrutura para velejadores. Graças às máquinas de lavar roupas, conseguimos lavar nossas roupas de cama. Quando atracamos o barco no trapiche para abastecer com água, o Luiz, gerente da marina, deixou que ficássemos lá mesmo. Para nós, foi uma festa. Finalmente conseguimos ficar bem acomodados e cercados de amigos. Depois disso, não deu mais vontade de ir embora. Quando saímos para pescar com uns amigos e pernoitar na Ilha da Cotia, uma lancha de 50 pés passou por nós em alta velocidade. O que aconteceu foi desanimador. Uma onda enorme lavou o convés, entrando água pelas gaiútas, que estavam abertas, e molhando tudo com água salgada: colchonetes, roupas de cama recém lavadas, edredons, sacolas com roupas dentro, e muito mais. Foi um mutirão a bordo para limpar tudo, um trabalho danado. Depois dessa, só voltando para a marina para recuperar o bom humor. Quando retornamos, o Luiz prontamente conseguiu prá gente um lugar no trapiche (foto acima). Foi um alívio. Claro que esta viagem não foram só dificuldades e aborrecimentos. O lugar é lindo e vale a pena conhecer. A beleza natural é fantástica. As montanhas caindo direto no mar, a transparência e a cor verde esmeralda da água, a quantidade de ilhas, cada uma de um jeito diferente e com seu encanto, fazem de Angra um lugar indescritível. Enfim, valeu a pena. Talvez o verão não seja a melhor época do ano para visitar Angra dos Reis. Da próxima vez, vamos reservar com antecedência um lugar na Marina do Engenho (foto acima), e ir direto para lá. Além do conforto da marina, Paraty é um encanto, uma cidadezinha carregada de história, que conquista o coração da gente. Sem dúvida, já decidimos. Vamos direto para Paraty. |
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