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Naufrágio
e Salvamento
A saga do "ODIN"
Karl A. Stephan
Revista Yachting Brasileiro nº 41
Março - 1948
Existe no Veleiros do Sul um livro
onde todos os timoneiros devem registrar suas saídas, destino
e provável regresso, sempre que tencionam fazer um cruzeiro além
da volta do Gazômetro.
Nem sempre este livro é respeitado. Também o snr. Arthur
Koepke esqueceu-se dele. Após as festividades do ano novo, às
6 horas da manhã, desatracou o "Odin". Koepke, em companhia
de sua senhora, Ida Koepke, seu filho, Erwin, e da srta. Raquel Usterrosz,
seguiu para um cruzeiro, previamente anunciado, pela Lagoa dos Patos.
Uma hora antes, desatracou "Pinguin", com Ernesto Schoenfelder,
Roberto Bromberg, S.Kraft, Hugo Lemke, J.V.Merées e Claus Bolten,
que é genro do snr. A.Koepke. - Ambos os barcos queriam voltar
domingo à tarde, 4 de janeiro. Durante estes quatro dias desabaram
muitos aguaceiros e de todos os quadrantes.
Seu mastro grande
está partido.
"Pinguin",
com sua adestrada tripulação, velejou até o farol
de Bujuru e voltou na data preestabelecida. Tal não aconteceu
com o "Odin". Não houve alarme porque um veleiro marca
a saída mas não garante a hora da volta em data certa,
quando se trata de uma excursão mais comprida. Ainda, mais quando
os tripulantes dispõem de tempo para passar vários dias
fora.
Quando, terça-feira 6, à tarde, não houve notícias,
alguns sócios do Veleiros do Sul resolveram telefonar para o
farol de Itapoan e saber se o "Odin" tinha regressado da Lagoa.
A resposta foi negativa. Já à noite, resolvemos no clube
solicitar a colaboração do 3º Regimento de Aviação,
sediado em Canoas, município vizinho de Pôrto Alegre. Os
senhores S.Kraft e G.Becker tomaram a si esse encargo e foram prontamente
atendidos, na quarta-feira, de manhã, quando, às 10 horas,
seguiu um avião da FAB para Tapes na costa ocidental da Lagoa.
Nada encontrando até lá, rumou para Leste sobrevoando
a Lagoa, em direção a São Simão. Sem demora
avistou o veleiro encalhado no já célebre banco de areia
que tem uns 25 quilômetros de extensão por uns 100 metros
de largura. Profundidade mínima variável entre 30 e 60
centímetros.
Regressando à base, o piloto informou o seguinte: Avistei o "Odin"
sobre o banco de São Simão, a mais ou menos 12 quilômetros
de terra. Seu mastro grande está partido. As ondas estão
lavando o convés, fortemente adernado para BB. Sobrevoei 5 voltas
a pouca altura e não vi nenhuma pessoa. Está abandonado
e faltando-lhe o "dinghy".
Surgiram
conjeturas desagradáveis
Esta nova o snr. Becker trouxe-nos às 12 hs.30, à sede,
onde estavam vários velejadores esperando ansiosos por notícias.
Entre eles vários bons conhecedores da Lagoa, que, como os outros,
ficaram apreensivos pelo destino dos tripulantes. Fomos às cartas
(mapas) do clube e surgiram conjeturas desagradáveis. A pedido
da diretoria dos Veleiros do Sul, o snr. Bizoli pôs a disposição
um barco de pesca recém construído pelo snr. Baltazar
Iglesias, também construtor do "Odin". Esta traineira
para alto mar, denominada "Pioneira", pertence a Sociedade
Brasileira de Pesca Ltda., e seguiu, na madrugada de quinta-feira, sob
as ordens do snr. Baltazar, rumo a São Simão, para localizar
os náufragos.
Era tripulada voluntariamente por Afonso Baltazar, Lourival Henniz,
seu mecânico motorista, Baltazar Iglesias Filho e Nelson Iglesias,
mais os iatistas Ernesto Schoenfelder, Herman Stock, ex oficial de bordo
da Hamburg Süd, Kurt Swandt, Ebehardt Herzfeld, Emílio Toeming,
Siegfried Kraft, Fritz Stephan, o autor e Ewaldo Matte, radiotécnico.
Levávamos emprestado da S.O.P., um cabo forte para fazer ou tentar
o desencalhe.
S.A. dos
Alimentadores dos Peixes da Lagoa dos Patos
A instalação do radio transmissor não
estava completa. Levávamos Ewaldo Matte para, se possível,
fazer funcionar o aparelho. Por falta de licença e devido à
responsabilidade o snr. Baltazar não permitiu que se tocasse
no rádio. Indignado com isso, Matte, que é técnico
da Varig, de P.Alegre, resolveu mudar de profissão a bordo e,
após bom café, às 6 horas da manhã, no abrigo
do farol de Itapoan, manifestou sintomas de tosse com granizo não
levando muito tempo para ingressar na S.A. dos Alimentadores dos Peixes
da Lagoa dos Patos. Dedicou-se com afinco à nova profissão,
desde o farol até avistarmos o "Odin". S.Kraft, nosso
despenseiro, prometeu uma cerveja extra a quem avistasse primeiro os
mastros do "Odin". Esta cerveja coube a Ebehard Herzfeld que,
conforme o snr. Stock dizia: Viu primeiro, com seu Opernglass instalado
no mastro da traineira.
Ao me aproximar
do encalhado vi já a desordem reinante a bordo
Às 12 e 10, ancoramos
em 2,20 metros de profundidade a uns 120 metros do "Odin"
e arriamos o "dinghy". Amarrados em comprido cabo, seguiu
a primeira turma para bordo do "Odin". Foram Schoenfelder,
Stock e Herzfeldt. Ondas de mais de um metro de altura dificultavam
o remar. O "dinghy" do club mostrou-se inadequado para ir
a remo na Lagoa. Da traineira acompanhávamos o movimento dos
três, cuja primeira intenção era verificar se havia
mortos a bordo. Em pouco tempo vimos o sinal negativo. Nem vivos. Herzfeldt
voltou com o "dinghy" para levar ao Emílio e a mim.
Num cabo, amarrado ao "Odin" e na traineira, em vai-e-vem,
o "dinghy" fez várias viagens. Ao me aproximar do encalhado
vi já a desordem reinante a bordo. Eram cabos de aço,
cabos e cabinhos de algodão e manilha, velas e outros objetos
rolando, parte sobre o convés, parte na água levemente
salobra. Porões, cabine, cozinha e motor estavam submersos. Parte
da cabine de comando, que fica sobre o convés, também
estava alagada. Ali encontramos cobertas e travesseiros ainda enxutos,
pelo que deduzimos que os tripulantes haviam dormido a última
noite a bordo, neste cubículo. Constatamos faltar uma âncora
e um pedaço de corrente. Assim também o "dinghy"
de bordo. O "diz-que-diz" anunciava que este só tinha
capacidade para três pessoas em águas calmas. Longe se
avistava a costa Leste. Sabíamos que o banco de areia vai até
lá. Entrei na cabine para procurar vestígios ou um aviso
escrito. Notei a falta de apetrechos pessoais, após vários
mergulhos. A água atingia meu queijo e não sou dos mais
baixos.
Quem ler
este, mande socorro. Koepke
Entretempo Ernesto começou a sondar as águas
ao redor do casco. Segurando-se, com cuidado e as duas mãos ,
no casco de BB, deixou-se escorregar lentamente para a água.
Não lhe faltava o salva vidas e levava uma corda na mão.
Um nome feio voou pelos ares e olhamos para Ernesto, parado, com águas
pelo joelho, ao lado do casco. Por BE tinha água pelo peito e
na popa a uns 80 centímetros.
Como não encontrou nenhum
rombo, fizemos uma tentativa de esgotar a água com baldes. Iniciamos
entre cinco e contentes víamos o nível baixar de minuto
em minuto. Isto até certo ponto, quando, com todo esforço,
não baixava mais. Entrei novamente na cabine onde muitos objetos
nadavam desordenadamente em cima e debaixo d'água, esta agora
pela cintura, e constatei muita areis no fundo...Examinando e removendo-a
com os pés encontrei o rombo, por onde entrava tanta água
quanto tiravam os baldes. Procuramos tapa-lo mas todos os esforços
foram inúteis.
Já eram 3,30 da tarde, quando, por acaso, encontrei o bilhete,
deixado na cabine de comando. Dizia:
"Atenção. Estamos no lado Leste; onde há árvores.
Se Deus quiser estaremos em Porto Alegre. O "Odin" está
cheio d'água. Quem ler este, mande socorro. Koepke".
O aviso, escrito nas costas dum envelope de "Yachting Brasileiro",
nada mais dizia. No convés, um olhava para o outro e para a costa.
Nenhum dos quatro náufragos era bom nadador e a senhorita Raquel
sabíamos que nadava como soldadinho de chumbo. Teriam alcançado
a costa ?
Durante
a viagem até lá tivemos três temporais com fortes
chuvas
Concluímos que, se lá tinham chegado, estavam
salvos, embora aquela zona seja a mais despovoada do Rio Grande do Sul
e sem meios de comunicação. Se não tinham chegado,
só restava içar a bandeira a meio mastro.
Enquanto discutíamos, as águas, dentro e fora do casco,
formaram nível; o vento aumentava e surgiam nuvens que indicavam
temporal. Em virtude disto e por nada podermos fazer a bordo, iniciamos
logo o regresso para Itapoan. Durante a viagem até lá
tivemos três temporais com fortes chuvas.Estas nos acompanharam
até Porto Alegre e continuaram no dia seguinte. Chegamos na madrugada
de sexta-feira. Neste dia, de Torres, onde estava veraneando, regressou
o nosso comodoro snr. Erwin Bier para tomar parte nas ações
de salvamento. No mesmo dia a "Folha da Tarde" publicou a
primeira notícia do encalhe do "Odin". O snr. Oscar
Koepke levou o caso às autoridades. À noite houve uma
reunião nos Veleiros do Sul para se tomarem novas e mais eficientes
medidas que descobrissem vestígios da tripulação
que nenhum sinal dava de vida.
11 horas
de correrias pelos prados alagados
Ficou estabelecido que a "Pioneira" fizesse nova
viagem, com voluntários, para trabalhar no salvamento do barco
e que outra turma fosse por terra e colhesse informações
dos habitantes. Preparamos o material necessário: cabos, ferramentas
e bombas de esgotamento.
Nosso comodoro, por sua vez, resolveu fretar um avião da S.A.
Táxis Aéreo Guarany Ltda. e pesquisar, sábado pela
manhã, a costa da Lagoa, desde Porto Anastácio. No mesmo
dia seguiram por terra num "jeep" gentilmente emprestado pela
firma Renner Herrmann S.A., G.Becker e Oscar Koepke, filho de Arthur
Koepke. A viagem desses senhores foi realizada com êxito e chegaram
ao local, onde veraneavam os náufragos, após 11 horas
de correrias pelos prados alagados da região mais inóspita
do Rio Grande do Sul. Estrada não há e sim trilhas pelo
campo, que levam de Fazenda em Fazenda. Só lá souberam
que a senhora Ida Koepke e a senhorita Raquel já tinham seguido
para Porto Alegre de avião, num vôo de propaganda oferecido
pela S.A.Táxi Aéreo Guarany Ltda.
Nesse avião, levantara vôo o snr. Erwin Bier, às
8hs.25; rumando para Itapoan. De lá, sobre a Lagoa do Casamento,
para Anastácio.
Em
espetacular aterrissagem pousou o avião ao lado da casa do agricultor
Daí pela praia até São Simão.
Sobrevoado o "Odin" seguiram pelo banco para a terra. Sobrevoaram
a primeira casa que encontraram e viram que lhes acenavam. Assim também,
da segunda. Desta mais insistentemente e com panos. O avião dirigiu-se
para lá e nosso comodoro reconheceu os quatro tripulantes. O
piloto fez uma curva e em espetacular aterrissagem pousou o avião
ao lado da casa do agricultor Manoel Ferreira. Estavam localizados os
desaparecidos.
Muito naturalmente surgiram perguntas e respostas. Em seguida o avião
voltou com a mesma tripulação para, em seguida, regressar
e trazer para Porto Alegre as duas senhoras. Os dois Koepke, pai e filho,
queriam esperar e voltar por água.
Nesse sábado, os matutinos publicaram grandes artigos e usaram
fotografias do snr. Toeming para clichês. Toda a cidade, com seus
300 mil habitantes, acompanhava as pesquisas e, quando o snr. E.Bier
nos trouxe a notícia de que estavam vivos os excursionistas que
já se davam por mortos, a notícia correu de boca em boca,
por telefone, rádio e sobre a cerca, com tamanha rapidez que
o jornal da tarde pegou poucos que não soubessem mais detalhes
que os próprios náufragos.
Na madrugada do mesmo dia, também tinha seguido uma camionete
policial para o município de Mostardas para ajudar a localizar,
vivos ou mortos, os tripulantes do "Odin". Da Repartição
Central de Polícia partiu ordem para as delegacias de todos os
municípios da costa Leste da Lagoa dos Patos que auxiliassem
na procura.
Cansados,
procuramos um lugar para dormir um pouco.
Da parte dos Veleiros do Sul organizou-se durante a manhã de
sábado nova expedição por água com finalidade
de salvar o veleiro. Ernesto Schoenfelder e Roberto Bromberg arranjaram
o equipamento que embarcou às 5 horas da tarde no rebocador "General
Netto", na praça da Harmonia.
Entre o material havia de tudo imaginável: moto-bombas, mangueiras,
cabos de aço e de manilha, cimento rápido, areia, ferramentas,
tábuas e caibros, material para calafeto, aniagens, lonas e apetrechos
para o nosso cozinheiro que, nessa viagem foi o snr. Ruebesam.
Mal acomodados sobre o material, no pequeno rebocador, seguimos rumo
de Itapoan, onde devíamos transbordar tudo para um rebocador
maior, o "Delphin".
Com grande número de braços disponíveis, o transbordo
foi rápido e todos, cansados, procuramos um lugar para dormir
um pouco.
Restava
somente solicitar a cessão da cábrea, um guindaste flutuante
de pouco calado e muita capacidade.
De madrugada o "Delphin" rumou para São Simão,
onde chegamos às seis da manhã, e pouco depois avistamos
o "Odin".
Ancoramos relativamente perto. As águas estavam calmas e permitiram
que as bombas fossem transportadas para bordo com facilidade. Para o
transporte levamos o escaler, ao qual adaptamos um penta de 4 C.V.Trabalhou-se
muito, nessa manhã e parte da tarde, sem resultado.
Resolvemos abandonar novamente o "Odin" e procurar os senhores
Koepke. Com estes a bordo regressamos para Itapoan onde baldeamos novamente
os apetrechos para o "General Netto" em que voltamos, altas
horas, para Porto Alegre.
Não conseguindo safar o encalhado, como esperávamos, restava
somente solicitar as Obras Públicas a cessão da cábrea,
um guindaste flutuante de pouco calado e muita capacidade.
Solicitado pelos snrs. Roberto Bromberg, Oswaldo Linck e Manoel Baltazar,
o Dr. Benno Hoffmann destacou o rebocador "Júlio de Castilhos",
com o engenheiro Roberto Hoerrle, para o local do acidente, afim de
ser feito um levantamento e estudada a possibilidade de seguir a cábrea
para o local.
Os albóis
de BB estavam quase todos submersos.
Acompanharam o snr. Dr.
Roberto Hoerrle, normalmente estacionado em Itapoan, onde o apanhamos,
o snr. Ataíde Del Pino, capataz geral da Praça da harmonia,
como costumamos chamar as dependências da Diretoria de Viação
Fluvial, mais os senhores Manoel Baltazar, Gunther Becker, Fritz dos
Veleiros do Sul e o autor.
Chegamos ao Itapoan ao anoitecer, falamos com o snr. Hoerrle e, devido
ao mau tempo, só no dia seguinte seguimos para a Lagoa, que,
desta vez, não estava muito lisa.
Enquanto almoçávamos, às 12 horas em ponto, avistamos
o "Odin". Terminamos o almoço com calma e aproximamo-nos.
Na primeira viagem o Dr. Roberto, o snr. Ataíde Baltazar, Gigi
(Gunther Becker), Fritz e o autor.
Uma vez a bordo, verificamos que o barco estava um pouco mais enterrado.
Os albóis de BB estavam quase todos submersos.
O Dr. Hoerrle imediatamente fez as sondagens de que fora incumbido e
deu-nos seu parecer favorável à vinda da cábrea.
Espichamos um cabo do rebocador e fizemos uma tentativa de safar o veleiro,
pois o "Júlio de Castilhos" tinha muito mais potência
que os outros rebocadores. Mas, da experiência resultou quebrarmos
mais um pedaço do mastro e o casco nem se mexeu. Com o auxílio
de dois marujos, amarrei este novo pedaço de mastro de tal maneira
que não podia jogar nas vagas e fazer estrago.
Ondas de tamanho
apreciável obrigaram marinheiros efetivos a tossir granulado
para sotavento.
Pelas cinco da tarde, levantamos ferro para regressar, com ondas de
tamanho apreciável, que obrigaram vários marinheiros efetivos
a tossir granulado para sotavento. Comigo quase aconteceu o mesmo. Felizmente,
o cozinheiro "Noé" trouxe-me uma fatia de pão
que muito me ajudou para melhorar a cor estranha que trazia no rosto.
Regressamos à cidade na manhã do outro dia e o snr. Ataíde
encaminhou o relatório do Dr. Hoerrle à seção
competente.
Deste relatório resultou que, na semana seguinte, seguiu para
o local a cábrea que, após 16 horas ininterruptas de árduos
serviços arrancou o "Odin" da cama que havia cavado
no banco de areia de São Simão, trazendo-o de reboque
para Porto Alegre.
Estes serviços foram assistidos
pelo colega Rolf Bercht e por Manoel Baltazar.
Hoje, "Odin" encontra-se novamente no seu ancoradouro, junto
ao trapiche da firma A.J.Renner S.A., onde foi visitado por um grande
número de curiosos, aos quais o snr. Arthur não cansa
de contar a odisséia de seus companheiros e sua.
Em companhia de seu filho Ervin, está iniciando as reparações
essenciais e a limpeza para varar o veleiro numa carreira afim de ser
feita a revisão do casco que muito sofreu. Não será
breve, mas algum dia "Odin" singrará novamente as águas
da Lagoa com mais sucesso.

Foto do álbum "ATLANTIS"- Rolf Sokolowski

O caíque : "20 de Setembro"

Fotos do álbum "ATLANTIS"
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Comentários
do Manotaço: a costa Leste da Lagoa dos Patos é
muito povoada. Por ali iniciou-se a ocupação do estado,
era a "Estrada de Laguna", que ligava Laguna a Colônia
de Sacramento. Depois que se ocupou o interior do estado, pouco a pouco,
foi a região sendo abandonada a um plano de menor importância,
daí a idéia de "zona inóspita" que o
autor, e muitos gaúchos, tinham e ainda tem desta região.
Transcrito
em 1º de agosto de 2004, por Carlos Altmayer Gonçalves.
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