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Iate Clube de Paranaguá - Antonina - Ilha do Mel
Este diário é a soma de nossas anotações, uma visão rápida das experiências que vivemos nestes últimos dez dias na baía de Paranaguá.
16/02/07 - Sexta-feira - 09:00h A viagem foi tranqüila, sem pressa, paramos para almoçar no paradouro Ferretti, restaurante Ático na Br 101, já paramos aqui mais de uma vez e plotamos o lugar para escala é muito bom. Nossa tripulante mirim e proeira Vitória, estava desde a saída de Garopaba com tendência a se amotinar, a verdade é que no feriado os tios, tias e primos estavam vindo para Garopaba, a casa da avó ia virar uma farra e ela é claro não queria ficar de fora. Já próximo a Paranaguá lembrei de um hotel que havia chamado minha atenção na entrada do centro histórico; - é o melhor hotel de Paranaguá!... me diz o motorista do táxi que levava a mim e ao Ladislau para o JIC em Joinville logo depois de chegarmos aqui em Paranaguá. Resolvemos então dar uma olhada no Camboa Hotel, "tudo de bom.com" como diz o Guto lá do Rio Grande Yacht Clube, um parque aquático fantástico! E não deu outra acabamos resolvendo ficar um ou dois dias para alegria da Vitória e no fundo nossa também pois, recuperamos a tripulante e nós também estávamos a fim de um pouco de mordomia que junto com prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém. Bem, check in feito, mochilas no quarto e... piscina na tripulação com direito a toboágua e outros brinquedos molhados, alguns minutos mais tarde Vitória já havia descoberto a turma da recreação ali mesmo nas piscinas jogando vôlei, Tios Tico, Teco, Mico, Tias Foguinho e Pipoca deste momento em diante pouco vimos a nossa tripulante e filha, tamanho foi o envolvimento dela com a galerinha, todos muito engraçados e criativos. Mais tarde fomos visitar o Planeta, o clube fica bem próximo ao hotel pouco mais de 10 minutos de carro, abrimos, deixamos algumas coisas, constatamos que o Ângelo marinheiro que ficou cuidando do "valente" era caprichoso e em seguida retornamos ao hotel, jantamos e nos recolhemos cansados da viagem.
17/02/07 - Sábado Após um delicioso café, resolvemos por unanimidade passar o resto da manhã nas piscinas do hotel. Caipirinhas, cervejinhas, petisquinhos tudo isso só para abrir o apetite... almoçamos e fomos dar aquela descansadinha... isto tudo é muito stressante! Mais tarde lembramos o que viemos fazer aqui em Paranaguá: - Onde tem um bom supermercado? Pergunto na recepção. Mais alguns minutos e já estávamos em meio as gôndolas do "Condor", um supermercado que nada fica a dever aos nossos melhores aqui do Sul. Não gosto nada desta função de supermercado, de todas as lidas que envolvem uma navegada mais longa esta é de longe a que menos me atrai, ainda bem que tenho a "Almiranta" para se encarregar desta parte chata. Lista ok., porta malas carregado, vamos mais uma vez até o clube descarregar e acomodar tudo no Planeta, resolvemos deixar o barco pronto para sair amanhã domingo, tanques de água e combustível cheios, baterias na carga etc. Mas, nossa intenção de sair no domingo foi aniquilada quando chegamos de volta ao hotel, lá nos aguardava nossa pequena e esfuziante tripulante, filha e aprendiz de proeira Vitória, após uma sessão de apelos e súplicas acabamos cedendo em ficar mais um dia nesta vidinha "bem mais ou menos" by Danilo. Após o jantar fomos ao bar das piscinas, ali estava rolando um show com música ao vivo e dos bons, ficamos um tempo namoricando eu mais minha "Almiranta", embalados por belos clássicos da MPB, quando derrepente surge o bando da Vitória... trocentas crianças mais os tios da recreação os Ticos, Tecos e por aí vai... quebrou o clima e a coisa virou carnaval mas, acabamos dando boas risadas com as palhaçadas e as danças engraçadas da galera.
18/02/07 - Domingo
E toma vôlei na piscina, descidas no toboágua de todas as maneiras, de costas, de peito, sentado... caipira, cerveja, ta ficando chato este negócio parece narrativa de travessia sempre a mesma coisa. Enquanto isso ver a Vitória e conseguir falar com ela era missão quase impossível... Eu e a "Almiranta" resolvemos dar uma caminhada para conhecermos melhor o centro histórico de Paranaguá, saímos do estacionamento do hotel e viramos a BE e mesmo a pé em 15 minutos já estamos circulando em meio a igrejas, palácios, casarios, mercados e praças novamente uma viagem ao passado, muitos retratos depois... Marta a "Almiranta" sintetizou tudo de forma simples e direta ao dizer: -Realmente uma cidade muito simpática e tranqüila, andamos sem receio nas ruas, carregando a maquina fotográfica fazendo bem o gênero turista, não fomos em momento algum abordados por vendedores nem por pedintes, muito gratificante poder ainda desfrutar de lugares como este. De repente, descobrimos que Paranaguá não é apenas um grande porto mas, uma cidade encantadora que possui um grande porto. Vamos até a estação ferroviária, queríamos mais informações sobre a viagem de trem entre Paranaguá e Curitiba, passeio que nos foi indicado como imperdível, acabamos deixando nossas reservas já feitas para o próximo domingo 25/02. Depois de uma água de coco bem geladinha voltamos a passos lentos para o hotel, onde encontramos nossa tripulante mirim ainda de molho na piscina com sua turma. Almoçamos ali mesmo na piscina, tomamos mais um banho e subimos para o quarto, mais tarde voltamos ao Planeta para levar toalhas de banho que tivemos que comprar; - Opss! a "Almiranta" deixou passar no check list este item importante. Já a noite no jantar, houve um desfile de fantasias da criançada muito divertido, tinha de tudo mas, o que mais impressionou os pais e "assustou" a criançada foi o tio Mico fantasiado de "Michael Jackson".
Paranaguá - Breve Histórico
Na década de 1550-1560, famílias de São Vicente de Cananéia, SP deslocaram-se ao litoral paranaense. Primeiro à ilha da Cotinga e a seguir às margens do rio Itiberê. Em 1640, chegou o Capitão Provedor Gabriel de Lara, e a fidalga família com investidura de governo militar. Já em 1646 mandou erigir o Pelourinho, símbolo de poder e justiça de El-Rei. Após dois anos, a povoação tornou-se Vila, chamando-se Vila de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá. Em 1660 tornou-se Capitania, passando à condição de Cidade em 05 de fevereiro de 1842. Ao ser criada a Província do Paraná, também se criou a Capitania dos Portos do Paraná, que passou a funcionar em 13 de fevereiro de 1854. Fato marcante para Paranaguá foi a visita de D. Pedro II, em 1880, para o lançamento da pedra fundamental do início das obras da rede ferroviária Paranaguá-Curitiba. A estrada de ferro foi tão rapidamente construída que já em 02 de fevereiro de 1885 foi inaugurada e até hoje é motivo de grande orgulho da engenharia nacional.
Paranaguá é assim: uma terra de beleza, tecnologia e tradição.
19/02/07 - Segunda-feira Conforme combinado no dia anterior, tomamos nosso café da manhã eu e o Capitão, a Vitória foi para a mesa dos tios da recreação, logo após nos despedíamos dos tios e de toda a turma com tristeza. Agora sim, acabou a mordomia! Vamos de mala e cuia para nosso barquinho, acomodamos as mochilas, pranchas, gerador... pranchas? Sim, nossa tripulante mirim e nosso capitão são surfistas, bastou alguém comentar que havia boas ondas na Ilha do Mel e pronto lá estavam os dois prendendo as pranchas em cima do carro antes de sairmos de Garopaba. Mais tarde preparei um almoço simples e rápido, enquanto o capitão providenciava tudo para nossa partida rumo a Antonina.
- Dá pra você ir, vai costeando, subindo o rio junto ao cais da capitania e depois das empresas de transporte... se quiser da pra ir até a ponte tem em média 2,5m. Minha idéia, era navegar até o través da cidade que por sinal fica muito perto ao ICP, queria tirar fotos do casario de Paranaguá visto de dentro do rio. Soltamos as amarras, de olho na profundidade vamos subindo lentamente o rio em direção ao portinho da histórica Paranaguá, outra visão muita bonita que nos rendeu belas fotos para nosso álbum de viagem. Proa nos waypoints COATI 7, COATI 6 e COATI 5 (aqueles da chegada)... após este último estamos enfrente a sub-sede do ICP na Pta da Cotinga que fica na ilha de mesmo nome, aqui dobramos a BB e seguimos o canal da Cotinga observando seu balizamento até a Pta da Cruz também na ilha a BE, a BB esta o TECON do Porto de Paranaguá. É a primeira vez que navego em um lugar desconhecido sem ter feito uma navegação usando as cartas de papel, sem ter inserido nenhum ponto no GPS, confesso que este fato não me deixa ficar a vontade, resolvi ir no embalo dos sócios do ICP com os quais andei trocando algumas informações e todos foram unânimes em dizer: - Para ir até Antonina é só seguir o balizamento. É verdade, saindo do canal da Cotinga viramos mais uma vez a BB e seguimos o balizamento do Porto de Paranaguá que acaba sendo um só até o Porto de - Antonina, logo após o Porto de Antonina já avistamos a cidade ao fundo. O trecho do Porto de Antonina até o Clube Náutico de Antonina é o mais critico, me arrependo de não ter feito minha já tradicional e metódica navegação, após o porto vamos com cuidado navegando a motor entre bóias cilíndricas de cor verde a BB e bóias cônicas encarnadas a nosso BE todas cegas, estas sinalizam o caminho em meio a uma dúzia de lajes submersas e outras tantas que afloram, sinto uma calafrio só de pensar em chegar aqui a noite sem eira nem beira. Vou para o rádio e chamo o Clube Náutico de Antonina, a pouco vi mastros e logo em seguida já identificava os barcos em suas poitas com os galpões do clube ao fundo. Uma barco de alumínio com dois marinheiros vem nos indicar a poita reservada para o Planeta, aqui só em poitas pois a variação de maré é um absurdo e o trapiche fica totalmente no seco na vazante, (veja fotos). Antes de prenderem nosso cabo a poita friso bem que nosso calado é de 1,70m., ambos me tranqüilizam afirmando: - Aqui neste ponto, mesmo com a maré vazada o barco do Sr. vai ficar boiando. 17:00h. - Foram 15MN do Iate Clube de Paranaguá até aqui, uma motorada de respeito, Eolo não deu as caras e deixou o trabalho todo para nosso 8HP de popa. É hora de cumprir o ritual da chegada, sacolas com os apetrechos do banho, tripulação no bote e rumamos para a sede do clube, na chegada prendo o bote a um flutuante bem próximo da pequena sede, quando perguntamos a um marinheiro que nos observava onde ficam os chuveiros este antes de responder nossa pergunta nos adverti: - É bom o Sr. não deixar o botinho ali, leve ele lá para a ponta do cais; apontando um longo trapiche de concreto que avança baía adentro. - Ali em pouco tempo ele vai estar no seco; completa ele, a seguir nos indica os chuveiros. Não consigo me acostumar com esta doideira, hora temos água sob o casco e se dermos bobeira dali a pouco estamos no seco... barbaridade! Renovados resolvemos ir até o centro da cidade mas, primeiro levo as tralhas do banho para o barco e na volta deixo o bote na ponta do cais seguindo o conselho do sábio marinheiro. Vamos caminhando em busca do centro de Antonina, nos haviam informado que era próximo e que aqui é onde acontece o melhor carnaval do Paraná, a tripulação do Planeta resolve conferir a veracidade das informações. Pouco tempo depois seguíamos o movimento dos pedestres e o bam... bam... bam... era cedo e a coisa já estava ficando animada, caminhamos até o final da avenida preparada para a folia, muitas luzes, arquibancadas e no final da passarela do samba de Antonina um enorme palco. Passamos nos esgueirando para traz do palco e ali escondida estava uma ruela muita bela (rimou), é claro não podíamos deixar de fotografar tudo, seguimos enfrente sedentos em conhecer mais intimamente Antonina e depois de vários bordos resolvemos jogar o ferro no Le Bistrô Restaurante, a pedida foi o prato típico da região o barreado... noósa! de comer ajoelhado como dizem. Atendimento nota 10, ambiente 10, comida 10, cerveja 10 e a conta 10, bem no clima de carnaval. Para nos redimir da orgia gastronômica, suspendemos e seguimos bordejando por Antonina, novamente seguimos o som carnavalesco e tornamos a avenida e passarela do samba. Acabo por arrumar lugar em um camarote montado num nível acima da folia, nem sei bem como, pedi para tirar umas fotos lá de cima e nos deixaram subir para alivio da Vitória que estava meio assustada com tudo aquilo. Aqui de cima são outros quinhentos, monto o tripé e adapto a máquina para tirar mais algumas fotos enquanto Marta e Vi estão boquiabertas com o que estão vendo, são diversos tipos de "homens" altos, baixos, magros, gordos e de todas as idades e cores todos vestidos de mulheres, uma verdadeira atração para nós que nunca tínhamos visto ao vivo uma folia assim, imaginem os olhinhos da Vitória, foi muito engraçado. O mais interessante desta bagunça é que famílias inteiras brincam pra valer, crianças de todas as idades estão no meio da folia junto com seus familiares, é claro que também aproveitam a carona e saem do armário os simpatizantes ou seja o S dos "GLS" que estão por toda a parte mas, bem "comportadas". A "Almiranta" nos confessa: - Eu já tinha achado Paranaguá acolhedora, Antonina me deixou completamente encantada, é charmosa, me lembra Parati com suas ruelas e casarios, Antonina é linda e tranqüila também. 11:00h - De táxi retornamos ao clube, quando chegamos no trapiche de concreto só havia mar lá na ponta dele, onde eu havia deixado nosso bote, o resto todo era uma lama só.
Antonina - Breve Histórico
A cidade de Antonina encanta pela sua diversidade. Além de possuir uma das mais antigas histórias do Paraná, refletida nos seus casarios coloniais, oferecendo ainda a seus visitantes boas opções como ecoturismo, turismo histórico e cultural, turismo náutico, turismo de aventura ou simplesmente passear por suas ruas estreitas e conversar com algum capelista, onde com certeza vamos conhecer mais sobre a história desta cidade. Fundada em 12 de setembro de 1714, são quase trezentos anos de história, o melhor carnaval do estado do Paraná, restaurantes, cafés, uma gente simpática e um clube náutico de uma hospitalidade sem igual. A cidade que descobrimos é assim, cada rua, cada lugar, guarda uma surpresa.
20/02/07 - Terça-feira
Aqui em Antonina não foi diferente, levamos nossa louça para lavar na sede do clube e por lá já ficamos e fomos conhecendo novos amigos, entre eles Hugo Steudell e o Hélio que nos deram boas dicas, depois de uma boa conversa de varanda o Hugo nos indaga:
Para respondermos sim, bastou olharmos para o rostinho da Vitória. E lá fomos nós caminhando rua afora e de conversa com o Hugo, a sede social do Clube Náutico de Antonina fica a uns 200 metros da sede náutica em direção ao centro da cidade. Mergulhamos, conversamos com Hugo e sua esposa que moram em Curitiba, Vitória e eu damos mais um mergulho, algum tempo depois nos despedimos do Hugo e sua esposa agradecidos pela atenção e hospitalidade que nos dispensaram. A "Almiranta" diz ao Hugo: 15:00h - Churrasqueira de bordo a mil... palavras da "Almiranta" após mais uma orgia gastronômica: - Nossa! Sem comentários, estava muito bom. Sesta a bordo... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. 18:00h - Acordo com um balanço desconfortável, lestada com vento forte e ondas, tempo feio, esta chovendo. Olho para o indicador de carga do banco de baterias e estamos no ponto critico, pela primeira vez tenho que usar o gerador... que bichinho bem barulhento.
Tenho vontade de fazer esta navegada mas, vai ficar para a próxima... A chuva cai torrencialmente e parece que não vai dar trégua, sem opção vou até o barco buscar nossos impermeáveis enquanto Marta e Vitória ficam me esperando no restaurante. Em meio as despedidas, pergunto ao comodoro a que horas abriria a secretaria no dia seguinte pois, tenho que acertar as nossas diárias. Ao que muito sério o Sr. Fernando me responde: - Aqui não tem isso não, seja sempre bem vindo. Eu heim, até com direito a piscina... Tripulação embarcada, uma pequena dose de TV, e desligo o gerador de "barulho", beliches pra que te quero, com chuva batendo então, é covardia!
Le Bistrô Restaurante 21/02/07 - Quarta-feira
07:20h - Solto o Planeta da poita e lentamente vamos deixando Antonina para traz. Vamos navegando buscando o balizamento do canal, do mesmo jeito que chegamos, alguns pares de bóias mais adiante avistamos as Ilhas Jererês, haviam nos dito que era lugar a ser conhecido, como bons exploradores lá fomos nós com a proa nas ilhas e com a carta 1822 na mão. A aproximação das Jererês; Jererê de Fora com altura de 30m e Jererê de Dentro com 21m, requer cautela uma análise da carta nos mostra a W um banco com 1,5 a E pedras e profundidades entre 0,8 e 1,2 m, a maneira de se chegar mais próximo é fazer a aproximação a NNW da Ilha Jurerê de Dentro, entre o banco e a ilha a profundidade é de 2,1m, bonitas as Jererês! Ambas tem pequenas praias de areias claras e casas de famílias de pescadores, não me senti confortável aqui, lembro da amplitude da maré e resolvo ir adiante. 11:00h - Ligo para o Ângelo e aviso que estamos próximos a sub-sede do ICP e voltando para o clube, ao que o mesmo responde: -Fique tranqüilo eu estou indo pro clube mas, vai ter alguém pra ajudar na chegada. Vamos que vamos, queremos chegar logo para almoçar no clube, ver o que falta na despensa, abastecer e seguir para a tão esperada Ilha do Mel.
-Joga o cabo para o marinheiro... Enquanto o marinheiro tenta nos puxar para o box, eu afasto da maneira possível o MJ 33 de cima do Planeta, mas já é tarde a "paulada" foi inevitável e o bote contornou a proa do Manon Troppo ficando aninhado a seu BB, só depois de soltarmos o bote de nossa popa é que conseguimos colocar o Planeta no box, que Merdão, que fiasqueira, que comandante de bosta. Estou até agora tentando entender a seqüência correta das besteiras que fiz e confesso que desisti, na verdade me tapei de nojo. Uma pilastra torta, um lascão na borda, e a moral de capitão abalada é o saldo do meu "show", o Manon Troppo tem uma proteção de inox em toda extensão do bico de proa e não sofreu nada, acho até que o seu comandante já havia tido uma premonição com relação ao seu vizinho. 13:00h - Almoçamos e eu vou tentando me acalmar é brabo quando a gente não tem "bruxas" pra caçar, quando o culpado é a gente mesmo mas, a vida continua e navegar é preciso. 18:00h - Barco abastecido, resolvemos tomar aquele banho, preparar alguma coisa na cozinha do Planeta e ficar por aqui mesmo, a Ilha do Mel vai esperar até amanhã.
Ilha do Mel - Paraíso encantado no Paraná Fernando Maciel
Quem vai a Ilha do Mel vê uma paisagem inesquecível, paisagem que encantou viajantes e aventureiros do passado, como o naturalista francês Auguste Saint Hilaire, de passagem pela ilha no século XIX. Com uma vegetação composta de manguezais, restinga e Floresta Atlântica, a Ilha do Mel ainda faz parte daquele território precioso onde a natureza foi pouco agredida pela mão do homem "civilizado". São 2762 hectares de área verde e rochas delimitadas e transformadas durantes milênios pelo mar da baía de Paranaguá. Quase toda a área - 2240 ha - foi transformada em Estação Ecológica em 1982. A Ilha do Mel tem também um Parque Estadual com 338 ha., ficaram de fora apenas os pequenos locais habitados, algo em torno de 07% da área total da ilha.
22/02/07 - Quinta-feira 08:00h - Com a rota de chegada invertida no GPS, navegamos sem pressa pelo Canal da Cotinga, uma manhã sem nuvens e o astro rei desempenhando "calorosa e ardentemente" seu papel. Vamos deixando o Pontal do Poço a nosso BE, proa no RM 120° buscando o waypoint CANGA 2 e na sequência CANGA 1, daqui aproamos para a Pontinha na Ilha do Mel, extremo S do Saco do Limoeiro onde fundeamos junto ao morro.
O Fundeio na Ilha do Mel O fundeio na Ilha do Mel merece um pouco mais de nossa atenção, vamos aqui dividir experiências e informações trocadas com velejadores locais, na Baía de Paranaguá fizemos novos amigos entre eles o Wagner do Veleiro Gipsy um Delta 26, o Rodney do Veleiro Darumah e o Denilson do Veleiro Zen um Brasília 32.
A BB do trapiche de passageiros de Brasília existe a "Poça", velejadores que freqüentam o lugar chamam assim um ponto mais profundo junto a praia, na "Poça" o fundeio se faz com dois ferros, um na praia, não existe espaço para o barco girar por isso os dois ferros. O acesso a "Poça" tem que ser feito com a maré alta, o caminho é o mesmo dos barcos de passageiros, via canal dragado, algo em torno de 2,0 metros de profundidade. Para quem não conhece a entrada o certo e aguardar um dos barcos de passageiros e segui-lo com "cautela" e maré alta. É um lugar muito bonito e com boa infra-estrutura, com vento S evite pernoitar, o vento acelera no morro e gera desconforto na ancoragem. Outro ponto a ser levado em conta com relação ao fundeio na "Poça" é o fato de pescadores e lancheiros com certa freqüência esquecerem de suas embarcações ali, com a subida da maré estas acabam batendo no costado de quem estiver por lá, também a proximidade da praia nos tira muito de nossa privacidade uma vez que é local de muitos turistas e curiosos. Para encerrar durante a noite e a madrugada é comum chegarem grandes lanchas com o som no último e estenderem a festa até amanhecer, se nada disso o incomoda, bom fundeio na "Poça". Locais para paradas rápidas; com vento S Enseada das Conchas e Fortaleza, com vento NE canto S da Praia de Encantadas. Velejadores da região afirmam, para dormir mesmo tem que ser na Ponta do Tenenge ou no Rio da Ilha das Peças, leia-se, longe da Ilha do Mel.
Lugar Maravilhoso, Dias Maravilhosos
Lugar ideal para quem quer estar perto da natureza, a Ilha do Mel é um convite à aventura, boas ondas, trilhas pelo meio da mata revelam plantas, flores, e até aves e pequenos animais típicos das florestas da Mata Atlântica. Nas praias da parte W, voltadas para o continente, o mar calmo é ideal para um banho sossegado, infelizmente, na Praia de Encantadas canto S uma placa me chamou a atenção, chegando perto li e fotografei o seguinte: Não acreditei, passei alguns minutos olhando a tal placa e tentando entender como uma ilha poderia ter águas poluídas, a explicação é lógica, Encantadas e Brasília são os dois centros de maior movimento na ilha, bares, restaurantes, pousadas e casas de moradores e veranistas. De alguma forma parte do esgoto destes centros acaba chegando ao mar, e o órgão "competente" solucionou o problema de forma "eficaz" e rápida com uma simples placa. As praias de mar aberto exigem mais cuidados, mas são nossas preferidas devido as suas generosas ondas. Estas praias vistas do alto dos morros, revelam uma paisagem deslumbrante que compensa o esforço da subida.
Outro passeio imperdível é ir até a Praia do Farol para conhecer o Farol das Conchas, uma longa escadaria leva até o farol, obrigatórias são as paradas durante a subida para vislumbrarmos praias, morros, istmo, fortaleza e a mata, num 360° de tirar o fôlego, "literalmente". Farol das Conchas, construído em 1872 por ordem de Dom Pedro II, o farol é todo feito de ferro fundido, uma preciosidade da engenharia da época. Mantido pela Marinha, até hoje o Farol das Conchas cumpre a missão de orientar os navegadores que cruzam a Baía de Paranaguá.
Neste palco foram travadas várias batalhas, como o "Combate Cormorant", em 1850, em que um vapor inglês aprisionou três embarcações brasileiras que faziam o tráfico de escravos, já condenado naquela época pela Coroa britânica. A Revolução Farroupilha também provocou luta na fortaleza, em outubro de 1839, algumas embarcações comandadas pelos revolucionários, seguindo ordens de Giuseppe Garibaldi, capturaram a sumaca imperial "Dona Elvira" e penetraram com ela na Baía de Paranaguá, mas foram expulsos pela guarnição instalada na fortaleza. A Ilha do Mel atualmente e motivo de preocupação e estudo, com passar dos anos, a faixa de terra entre Brasília e a Praia do Farol, no lado oposto da ilha, foi se estreitando, alguns pesquisadores apostam em sua divisão completa dentro de quatro ou cinco décadas. Durante uma maré alta ocorrida em agosto de 1993, a água atingiu várias casas e o istmo - pequena faixa de terra que une as duas partes da ilha - foi totalmente coberto durante várias horas. Enquanto a força do mar não divide a Ilha do Mel, vale a pena uma visita para conferir seus encantos que misturam brisa marinha com o cheiro da mata. 23/02/07 - Sábado 17:00h - Com cuidado chegamos novamente ao Iate Clube de Paranaguá, vamos aproveitar o chuveiro, preparar uma refeição e dormir cedo, amanhã às 06:00h marcamos um táxi para irmos até Curitiba, a volta vai ser de trem...
Dicas
Curitiba - Paranaguá via ferroviária 25/02/07 - Domingo
A diversão já começa no embarque na rodoferroviária de Curitiba, fila para o embarque e lojinhas vendendo "recuerdos" de muito bom gosto, os vagões são simples mas confortáveis, os bancos são reversíveis e permitem que as pessoas desfrutem a viagem em grupo. Para poder atravessar a serra, os trilhos percorrem caminhos tortuosos e cortam montanhas, ao todo são treze túneis. O primeiro deles é também o mais extenso, na altura de Roça Nova, o trem mergulha num caminho escuro de 457 metros de comprimento, como uma platéia extasiada, os passageiros participam do espetáculo gritando bem alto para fazer eco nas paredes de pedra. A cada novo túnel a gritaria recomeça e todos fazem coro como se estivessem numa montanha russa, esta parte a Vitória achou o máximo. É uma festa! O fascínio que a natureza exerce sobre as pessoas se explica com apenas um olhar pela janela, a exuberância da mata deixa a todos quase mudos de admiração, uma variedade enorme de árvores e plantas se misturam ao colorido das flores amarelas, rosadas, roxas, brancas e vermelhas.
Logo em seguida, entre dois túneis, aparece a Garganta do Inferno, uma fenda sombria em meio as escarpas irregulares, neste ponto da viagem a quase 700 metros de altitude, a serra se abre numa vista panorâmica e se pode avistar lá embaixo a baía de Paranaguá. Bem abaixo dos trilhos, os observadores mais atentos enxergam uma cruz de ferro plantada sobre a montanha. É o local onde foi encontrado o corpo do Barão de Cerro Azul, assassinado a tiros e jogado do trem durante a Revolução Federalista de 1893. Outro ponto muito apreciado é o Santuário de Nossa Senhora do Cadeado, onde há um mirante com uma belíssima vista panorâmica, recortada nas encostas, a ferrovia serpenteia pelo desfiladeiro e o trem passa sobre a Ponte São João, a maior de todas as pontes tem 113 metros de comprimento e o vão central fica a 58 metros de altura em relação ao fundo do vale. Dá janela vê-se quase toda a composição percorrendo os trilhos, de repente parece que o trem começa a flutuar no espaço; ele está passando sobre o Viaduto do Carvalho, assentado em cima de pilares de alvenaria feitos na encosta da rocha, a sensação é de estarmos voando. Parada na estação do Marumbi, é o fim da viagem para os montanhistas e aventureiros que querem ficar mais perto da natureza, eles se instalam em barracas ou nas pouquíssimas casas espalhadas pela mata, o desafio e objeto do desejo deste pessoal é o conjunto de montanhas do Marumbi que se pode avistar do trem. Com 1539 metros de altura, o conjunto é formado pelos picos de Abrolhos, Torre dos Sinos, Esfinge, Ponta do Tigre, Olimpo ( ou Marumbi ), Boa Vista e Facãozinho.
O passeio depois de Morretes perde o encanto, a serra e suas belezas ficaram para trás, a paisagem se torna monótona e só vale mesmo pela estação final; Paranaguá esta sim vale a pena! Aqui é o ponto inicial desta histórica estrada de ferro, obra iniciada em junho de 1880, na presença de D. Pedro II e da Imperatriz do Brasil. Foi inaugurada em 1885, pela Princesa Isabel, reconhecidamente uma das maiores obras de engenharia ferroviária do mundo. Esta obra foi temperada com sangue, marcada por atos de coragem e obstinação. Calcula-se que pelos menos cinco mil homens morreram de acidente, febre e outras doenças perseguindo o sonho de construir a estrada de ferro. 12:30h - Caminhamos em direção ao Iate Clube, percurso de 15 minutos, depois desta temporada de férias, é chegada a hora de carregar o carro, dar até logo ao barco e voltar para casa.
Próxima etapa: Paranaguá - Ilha Vela (Bela) Fernando Maciel |

18 Jun 2008
Matias Podesta Muy bellos lugares, tube oportunidad de conocer el año pasado en un crucero que realizamos con el velero nuestro amigo Elvio con amarra en antonina; el recorrido fue Antonina, isla Do Mel, Porto bello y Ponta Das canas (Floripa), para nosotros que acostumbramos a navegar solo en el inerior del rio de la plata, este crucero fue increible!!, sobre todo tratandose de un velero mediano (30 pies) que brinda una sensacion increible al navegarlo en mar abierto. Hace diez años que recorro en auto las playas de floripa, porto belo, bombas, pero este crucero en el barco de Elvio nos decidio, junto a ël y mi hermano a programar otro crucero con mi propio barco para el proximo verano, el recorrido esta previsto desde San Isidro a Rio Grande do Sul.
P.D.muchas gracias por compartir tu viaje. Saludos, matiaspodesta |