
Aleluia! Aleluia!
Visão surreal na Baía de Todos os Santos
Pitágoras Bourscheid
Alexandre, à proa, mandou que eu olhasse dois pontos sobre a água, no nosso rumo e de onde, às vezes , espirrava água. Aproximando, vimos que eram dois rapazes nadando, se assim se pode dizer, agarrados a dois pedaços de isopor de uns 50 x 50 cm, a uns 500m da praia.
Neste momento percebi que um deles era cego. Gritei: Alemão, um deles é cego! Então, nada de tudo bem ! Vamos apanhá-los respondeu Alexandre. Numa manobra, resgatamos os dois, confirmando que um era cego e o outro, praticamente. Sentados no convés, confirmaram que Roberto era cego e Carlos tinha apenas 30% da visão. O Tudo bem lá que disseram dentro da água foi
porque não tinham a menor idéia do que estava acontecendo. - A gente podia ter morrido, disse Carlos , na maior inocência.
Por falar em santos, acho que todos eles estavam cuidando dos dois rapazes naquele dia. Largamos os dois na Praia da Boa Viagem, a salvo, não sem antes acharmos algumas pedras e dar uns arranhões no casco do PANGEA, que se mostrou quase um encouraçado. Uma exata hora da operação de resgate, perplexos com o surrealismo, estressados com o quase encalhe e consciência tranqüila, seguimos para Aratu. Imaginem, com uma estória dessas como álibi por atraso. Uma semana dormindo no sofá, no mínimo. ALELUIA ! ALELUIA ! Pitágoras Bourscheid
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