Ministério Público
paralisa
obra do DEP na baía do Cristal
Em face da constatação do ilícito ambiental, com desdobramentos em termos de responsabilidade pessoal dos administradores públicos, fica acertada a paralização da obra do Departamento de Esgoto Pluviais (DEP), próxima ao despejo, área do Veleiros do Sul e Iate Clube Guaíba, até o dia 13 de novembro, quando ocorrerá nova audiência. A informação é do Promotor do Meio Ambiente, Fábio Medina Osório, ontem (30/10/2002), no encerramento da audiência convocada pela Coordenadora do Meio Ambiente, Ana Marchesan.
Diante do levantamento de batímetria no Lago Guaíba e laudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, fica comprovado que o DEP elegeu local inadequado para a obra, em região com característica portuária, formando uma baía de zona morta, sem condições de absorver os efluentes no Lago Guaíba, declara Marchesan. Ela destacou ainda que a poucos metros, está instalada a estação do DMAE que abastece a população da Zona Sul, o que piora a situação e aumenta os custos com o tratamento da água.
A Coordenadora apresentou duas propostas aos responsáveis - o diretor do DEP, Airto Ferronato, e o engenheiro Jorge Moojen - que seriam: a construção de um emissário que leve o material até o canal de navegação, ou a construção de uma tubulação até o Arroio Cavalhada, onde o material será lançado.
Caso não seja aceita uma das soluções apresentadas, a Coordenadoria do Meio Ambiente poderá entrar com uma Ação Cível Pública e Ações Penais sobre os responsáveis pela degradação ambiental, reforçou Ana Marchesan.
O Procurador de Justiça, do Departamento de Recursos e Projetos Especiais do MP, Luiz Achylles Petiz Bardou, acrescentou que no mínimo a administração pública conduziu a obra apressadamente, mesmo quando ciente de que estava em andamento uma pesquisa de importante caráter cientifico, pelo IPH. A solução do problema dos clubes náuticos passa pela solução ambiental no todo e para contento do interesse da sociedade, concluiu Bardou.
Para o vice-comodoro esportivo do Veleiros do Sul, Cícero Hartmann, foi produtiva a ação do Ministério Público, sobretudo bloqueando mais uma tentativa do DEP de ganhar mais tempo e de postergar uma solução. Cai por terra o argumento apresentado por Moojen e Ferronato de que investiram R$ 5 milhões na obra, quando na verdade este é o valor de quilômetros de encanamentos, enquanto o pedaço em discussão, dentro da marina dois clubes, não deve chegar a 10% do custo total da obra.
Hartmann destaca ainda que o Ministério Público está dando mais uma oportunidade para o Município apresentar projeto de solução até o dia 13 de novembro. Em não cumprindo o que a lei determina por não terem realizado o Estudo Prévio e Relatório Impacto Ambiental (EIA-Rima) fica evidente o crime ambiental".