No Coração do Mar
A história que inspirou Moby Dick
Sinopse de Rodrigo Asterix Beheregaray

NO CORAÇÃO DO MAR - A história real que inspirou o Moby Dick de Melville. Nathaniel Philbrick. 1a. ed., 3a reimpressão. Tradução Rubens Figueiredo. Editora Companhia das Letras (Ed. Schwarcz), São Paulo. 2000. 371p., ilustrado.
Capa: fotografia "The Wreck (of the Arden Craig)", 1911, de Francis J. Mortimer. Royal Photografic Society, Bath, Inglaterra.


CONTRACAPA:
Nunca se imaginara que uma baleia pudesse atacar um navio. Em 1820, porém, o baleeiro Essex foi abalroado por um cachalote enfurecido e afundou rapidamente. Os marujos reuniram o que puderam em três botes e, durante três meses, navegaram milhares de milhas pelo Pacífico em busca de salvação. Os rigores da natureza, a fome e a sede lhes impuseram sofrimentos atrozes e os levaram aos extremos da loucura, da morte e do canibalismo.
Esta é a história verídica que, no século XIX, inspirou Herman Melville a escrever "Moby Dick", e que o historiador Nathaniel Philbrick reconstitui aqui em todos os detalhes, apoiado em ampla pesquisa e fontes inéditas. Uma tragédia vivida por pessoas reais e que põe em questão os limites da capacidade de sobrevivência humana.

ORELHA:
O naufrágio do navio baleeiro Essex, no século XIX, foi um acontecimento tão comentado nos Estados Unidos quanto o naufrágio do Titanic no século XX. Abalroada duas vezes por uma baleia - que a golpeou com a cabeça -, a embarcação afundou rapidamente. O episódio inspirou Herman Melville a escrever sua obra mais conhecida, "Moby Dick". Entre a realidade e o romance, porém, há uma diferença fundamental: em Melville, o naufrágio é o clímax que encerra a história do confronto do capitão Ahab com a baleia branca; na vida real, ele foi o início de uma terrível provação para os tripulantes do Essex.
Amontoados em três botes, numa região remota do Oceano Pacífico, os marujos navegaram durante três meses, percorrendo milhares de milhas em mar aberto, na esperança de encontrar terra firme ou um navio que os salvasse. A escassez de água e comida os submeteu aos horrores da inanição e da desidratação, da doença e da loucura, e os levou aos extremos da morte e do canibalismo.
Mais do que uma aventura, a tragédia desses homens simples - alguns ainda adolescentes - desafia o leitor a refletir sobre a capacidade de resistência do espírito humano diante de adversidades insuperáveis.
Nathaniel Philbrick, grande conhecedor da história de Nantucket, é diretor do Egan Institute of Maritime Studies e pesquisador da Nantucket Historical Association. Escreveu vários livros, entre eles "Away off Shore: Nantucket Island and its People, 1602-1890" e "Abram´s Eyes: The Native American Legacy of Nantucket Island". Velejador campeão, vive em Nantucket, Massachusetts.

DESCRIÇÃO/SINOPSE:
O livra narra uma eletrizante história, garimpada com esmero e brilhantismo pelo autor. O trabalho de pesquisa resgatou uma história fascinante que tentava ser esquecida pelo povo ilhéu de Nantucket. A pesquisa, fugindo de tendências prévias, mantidas pela cultura e religião ortodoxa dos antigos Quakers que formaram aquela ilha, e das versões mais conhecidas, trouxe novos elementos e provas de que nem tudo parecia ser verdade e que talvez os heróis não tivessem toda a manta de heroismo como quiseram manter, anexando um quê de vergonha e esquecimento aos fatos.

O autor, apesar de apontar novas versões possíveis para o naufrágio, traz à luz sempre embasamento factual ou de informações de outros especialistas para tentar reconstituir o que teria acontecido antes, durante e depois de uma das tragédias que mais marcou o século XIX, envolvendo uma das principais economias da época que era a caça às baleias. O encontro de uma agenda perdida com anotações de um dos tripulantes sobreviventes (adolescente na época) em um sótão de uma casa por anos, ajudou a desvendar o que teria acontecido para abalroar a baleia e i ndicar que o ganancioso e prepotente primeiro-imediato Owen Chase, dito até então pela comunidade como herói nesta história, tb sobrevivente, talvez não fosse assim bem como ele teria contado e se esquivado de responsabilidades.

Por outro lado, o capitão Thomas Nickerson, de personalidade passiva, ficou visto como responsável por tudo, incluindo as mortes de tantas pessoas em uma pequena comunidade e de cultura tão rigorosa, onde o peso de uma religião austera como a Quaker era a que prevalecia (e de que a tradição de um capitão afundar com o navio tb...). A ausência de pulso para revelar verdades ou tendência a dar a melhor versão, prevalescência de uma comunidade ressentida pelas condições de tragédia tão inusitada com a perda de tantos entes queridos, a dominância das versões e personalidades na época, fizeram que muita coisa fosse enterrada e somente agora, com a pesquisa minuciosa do autor, descoberta e revelada neste livro. O Autor tem o cuidado de por uma bibliografia extensa e fonte das informações que embasam sua pesquisa e sustentam a direção do que acredita ter ocorrido.

O livro é muito bem-feito, bem narrado, mas contém partes fortes e que necessitam de vigor para lê-lo, já que contém quase que um diário com o que foi acontecendo com o passar dos dias e meses da tripulação sobrevivente e que ia minguando e morrendo, só restando poucos sobreviventes e testemunhas. Há uma descrição inclusive dos processos degenerativos e detalhes de fisiologia humana do que poderia estar ocorrendo, sem falar dos processos de degradação psicológica frente a tantas adversidades daqueles pobres moribundos.

Assim que, o livro é muito interessante e mesmo instrutivo, não apenas pelo lado histórico mas pelo lado informativo do que há nas barreiras e limites físico e intelectual quando as pessoas são submetidas ao extremo.

Boa leitura!

Asterix
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Rodrigo Beheregaray