"Iluminado"
Noctilucas em Ganchos

Danilo Chagas Ribeiro

Enseada de Ganchos, SC. Fev 2006. O dia estava terminando. Era hora de escolhermos um abrigo para a noite. Ganchos nos esperava com um belo pôr-do-sol.
Já com os panos enrolados, eu vinha lá na proa de olho nas bóias e obstáculos, ouvindo aquele marulhar no casco, que tanto aprecio. O Canibal foi fundeado mais pra boca da pequena enseada repleta de pesqueiros apoitados. Com o anoitecer, a vila foi se iluminando e passamos a ver todas aquelas silhuetas dos barquinhos de braços abertos contra as luzes do povoado. Da igreja, lá de cima do morro, desciam cânticos religiosos no início da noite.

A vila de Ganchos é bem pequena. Uma cidade em miniatura. As casas já começam a ser construídas morro acima. A conhecida "Marina de Ganchos" agora é sub-sede do Iate Clube Caiobá, do Paraná (R$35.000 de jóia e 180/mês). Mesmo sem sermos sócios fomos muito bem recebidos. Abastecemos o Canibal com água e utilizamos as novas e bem cuidadas instalações. O trapiche é ótimo. A mão de obra é prestativa e competente. Parabéns ao ICC.


Ganchos, já sem a maioria dos pesqueiros que buscaram abrigo à noite

Entre o Canibal e a praia, aqueles pesqueiros apoitados. A enseada completamente espelhada. Talvez 10 da noite. Me deu muita vontade de me meter lá no meio daquele cenário. Alguém ta a fim de se enlear naquelas poitas com o dingue? Não... Sossega aqui a bordo...
Fui sozinho.

Fui até bem na beira da praia, bem devagar. Bóias de todas as cores na enseada. Barcos quietos na noite calma. A iluminação era só a que vinha da praia, mais os fortes reflexos na água. Era como andar  em um labirinto escuro, ora guinando pra cá pra safar uma poita, e em seguida pra lá, pra safar o barco ao lado. O motorzinho ia no tuc-tuc da lenta quebrando o silêncio da noite. Ninguém à vista na praia nem nos barcos.

De volta ao Canibal, foi a vez do Andreas dar uma volta. Todos se encantaram com as noctilucas iluminadas no rastro do hélice do dingue. De vez em quando corria um ponto forte de luz do rastro iluminado. Era como se estivesse saltando uma faísca. E saltava outra. E mais outra. Um espetáculo. Alguém descobriu que no banheiro escurecido do Canibal, o acionamento da descarga também provocava doideira nos planctons. E por fim, vai ver que inspirado pelos cânticos que há pouco ouvíramos, por alguns instantes fiquei me achando um cara "iluminado": fazendo pipi do alto do púlpito de proa, surgiam "faíscas" na água lá embaixo.
Tudo era diversão e motivo para muito riso. Foi um cruzeiro muito divertido.

Essas pequenas coisas valorizam os cruzeiros, mas o clima divertido tem muito a ver com o estado de espírito da tripulação.

 

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Departamento de Botânica Marinha, Göteborg University, Suécia


Segundo o Comte Nelson Fontoura, biólogo, catedrático da PUC/P. Alegre, as Noctilucas (Noctiluca scintillans) podem apresentar brilho espontâneo, mas brilham excepcionalmente quando submetidas a um estímulo mecânico.

Existem outras espécies luminescentes, embora a Noctiluca, um plancton marinho encontrado em várias partes do mundo, seja a mais freqüente.

Diâmetro: 200-2000 µm

A reação que produz luz é:
Luciferina + Luciferase + Oxigênio + Sal ----> Luz + Água

 

 

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