
De Belém a Salvador
Navegando 1.500 milhas no Nordeste brasileiro
Átila Böhm
Na Parte 1 do diário do cruzeiro de 1.500mn, o Comandante Átila apresenta o trecho Belém - Gurupi .
Leia a seguir a Parte 2 dessa grande navegada. Parte 2: Cabo Gurupi a Jericoacoara
Daí em diante o vento rondou para NE e a velocidade diminuiu. Navegamos o dia todo para avançarmos umas poucas milhas. No final da tarde à leste vinha um Pirajá. Rizamos a vela grande e esperamos. O céu ficou escuro e desabou uma forte tempestade. Quando o temporal se afastou, constatei que alguns carrinhos da vela grande haviam se soltado, e fiquei com medo de que a sobrecarga nos demais carrinhos rasgasse a vela, o que nos mandaria de volta para Vista Alegre no Pará. Arribamos o barco para a Ilha de Praia Velha, divisa entre o Pará e o Maranhão, próximo ao Cabo Gurupi. Ao entrarmos pelo canal não foi possível avistar nenhum tipo de vilarejo, nem cabanas de índios ou algum sinal de civilização. Navegávamos lentamente porque o motor de popa não queria funcionar. Ao aproximarmo-nos do final da ilha avistamos um pier e a vila de pescadores. Mais tarde recebemos a visita de alguns moradores que nos informaram sobre Praia Velha. Tinham energia elétrica de um gerador diesel, 4 horas por dia, e o telefone funciona com energia solar. Costuramos os carrinhos da vela grande e consertamos o motor de popa. A bolina de bombordo estava presa porque a tralha da rede fez um sulco de dois centímetros na madeira, e porque um pedaço do cabo de nylon que ficou preso dentro da caixa da bolina, travou-o. Levantamos a âncora, e proa para Ilha dos Lençóis. Depois de “1001” bordos contornamos o farol da Ponta do Gino e começamos a navegar pelo canal entre as ilhas. O visual é belíssimo com o verde do manguezal, as dunas brancas e muitos Guarás. Muitos bordos depois estávamos próximos a Tutóia, umas 40 milhas de Luis Correia, Piauí. A SW o céu estava cor de chumbo anunciando um CB. Não demorou muito e estávamos sem as velas no meio de um temporal, o ar com cheiro de terra molhada indicava que o vento havia rondado para SW. Levantamos os panos e avançamos diretamente para Luiz Correia a mais de 8 nós. Uma maravilha para esta região que é conhecida pelo impiedoso Lestão. Em Jeri, como é chamada pelos moradores, tínhamos que dar carga na bateria e reforçar o punho do rizo da vela grande que estava cedendo. Chegamos na praia com a bateria e a vela, alugamos uma carroça (foto ao lado) para levar a bateria para a oficina e a vela na pousada do André, que trabalha com velas de windsurf. Caminhar em Jeri é um episódio à parte. As ruas são de areia fofa e, por incrível que pareça, o restaurante é longe da Internet, que é longe do supermercado, que é longe da oficina e que finalmente é longe da praia. No final do dia ficamos mortos de cansaço. Veja abaixo as cartas da perna Cabo Gurupi - Jericoacoara |




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Leia a Parte 3 na semana que vem:
Jericoacoara a Salvador
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