Alça na Roda de Proa
"Uma mão na roda"
Danilo Chagas Ribeiro

17 Ago 2008
N
a hora do reboque, o que a grande maioria dos barcos dispõe para amarrar um cabo são os cunhos ou a base do mastro. Não são pontos de apoio que suportam reboque com mar de bom tamanho, onde os trancos são freqüentes. Além disso, nem todo o mastro pode ser utilizado para fixar uma amarra para fins de reboque.

No Cruzeiro-Regata Porto Alegre - Rio Grande, em 2007, um veleiro de 22 pés teve os cunhos arrancados durante o reboque.

Uma alça rigidamente fixada à roda de proa (foto) é a solução para um reboque seguro. É bem provável que se o veleiro argentino Ilikai dispusesse da alça, o desfecho teria sido diferente.

O veleiro Maragato perdeu o leme entre Mostardas e Rio Grande , e acabou encalhado. Se houvesse uma alça de roda de proa, seguramente teria sido rebocado com sucesso pelo navio que lhe foi prestar socorro.

A solução compreende uma alça rígida de inox fixada à roda de proa, incluindo um cabresto com gancho, como na foto ao lado.

Outra vantagem da alça instalada na roda de proa é nos fundeios com vento. O balancim, por onde passa o cabo ou corrente da âncora, não tem resistência para manter o fundeio com ventos fortes ou ondas. Idem o guincho.

A solução usualmente utilizada para aliviar a tensão no balancim é amarrar o cabo da âncora a um cunho antes de passar pelo balancim, como na imagem ao lado (as duas fotos são do mesmo fundeio). Assim, todo o esforço da ancoragem fica concentrado no cunho. Essa solução é empregada quando o cabo passa por um guincho de âncora ou quando não se quer utilizar todo o cabo disponível no paiol.

Para realizar essa faina, dependendo do tamanho do barco, o proeiro precisa passar para o lado de fora do púlpito de proa para caçar o cabo na extremidade do balancim e trazê-lo até o cunho. Com o barco batendo nas ondas, não é das fainas mais seguras. O croque não ajuda muito nessa faina.

A operação torna-se crítica se o timoneiro não estiver habituado. É que a folga no cabo para permitir ao proeiro a amarração no cunho é obtida com o uso do motor, mantendo-se a proa na direção do ferro, sem passar por ele. Ocorre que as rajadas de vento podem desviar o barco bruscamente da direção correta, fazendo com que o cabo da âncora estique-se violentamente. Quando isso acontece enquanto o proeiro está amarrando o cabo no cunho, é muito fácil perder um dedo.

A alça da roda de proa permite o alívio do balancim no fundeio com operação mais prática e segura. O gancho do cabresto é fixado à corrente (foto mais acima), que logo é folgada até que a alça passe a firmá-la, como na foto ao lado. Mantêm-se o cabo da âncora amarrado a um cunho como garantia extra do fundeio.

Para quem dorme na cabine de proa durante o fundeio, essa solução tem uma vantagem extra, eliminando aqueles freqüentes "estouros" da corrente ao acomodar-se no balancim a cada giro do barco nas rajadas.

Fundeio utilizando a alça da roda de proa

Assunto relacionado: Fundeio tranqüilo

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Ago 2008
Alberto Kling
A alça na roda de proa melhora mas não resolve o problema dos fortes trancos em caso de reboque com mar agitado.
Uma melhor solução é prender uma âncora em alguma parte do cabo de reboque que não seja o meio do mesmo, entre as embarcações (rebocadora e rebocada). O peso da âncora deixará o cabo parcialmente afundado, assim o sistema funcionará como um amortecedor, eliminando ou suavizando os trancos entre as embarcações. Não lembro onde li esta solução que me parece bastante adequada.

Quanto ao prender o Ilikai por uma possivel "alça" de proa, cito a referencia do livro do ERIC TABARLY, Guia prático de manobra, Edições marítimas, Cap XII Pag 166: "Tenha sempre em mente que é extremamente arriscado um barco pequeno fazer-se rebocar por um carqueiro. O veleiro sofrerá inúmeras avarias. Muitas vezes o comandante do carqueiro se recusará a rebocar o barco, propondo, em caso de perigo, embarcar a tripulação".
Caso Ilikai, que não mais interessa.

Alberto.